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Contornando os desafios de ser freelancer

Poder trabalhar onde, quando e como quiser:  Esse é um dos vários pontos positivos que lembramos quando pensamos em nos tornar freelancers. Entretanto, imaginando como seria no dia a dia, conseguimos prever algumas questões que poderiam se tornar problemas no futuro, como a organização do tempo e a solidão.

Ao realizarmos o estudo Ser Freelancer | trabalhando com pesquisa no Brasil, nos deparamos com os desafios que fazem parte da vida de grande parte dos profissionais liberais.

Por acreditarmos que o formato freelancer possa se tornar uma das formas de “trabalho do futuro”, decidimos compartilhar algumas soluções usadas pela Zest – e outras mais que encontramos na rede – para estes obstáculos.

solidão freelancer

Solidão

Se você imaginava seu dia a dia de trabalho com colegas, estes que se tornariam seus amigos e para quem você poderia contar as fofocas no horário de almoço –  ou até, se imaginava que a vida profissional seria repleta de happy hours – pense de novo.

“Ah, mas como freelancer eu não tenho horário de almoço, posso ficar o tempo que eu quiser.” Exatamente, você pode fazer o que tiver vontade, só precisa ter certeza que seus amigos conseguem o mesmo. Se isto for possível, pode ser de grande ajuda, especialmente no começo, pois vocês podem se encontrar com mais frequência. Porém, cada um tem as suas pautas e nem sempre as agendas fecham.

Se você não conhecer muitas pessoas que trabalham nesse formato, isso não é um problema. Em uma bela onda crescente, o movimento Hoffice está aproximando profissionais liberais, projetos interessantes e dando vida a espaços que muitas vezes ficavam ociosos em casas e empresas.

Presente em várias capitais do Brasil, os grupos do movimento no Facebook são abertos a todos os interessados, com espaço para sugestão de novos lugares. O maior destes, em São Paulo, já conta com 1.507 membros, aumentando todos os dias. Dando os primeiros passos, em Porto Alegre encontra-se 51 membros, ou seja, tem muito espaço para crescer.

Desvalorização

“Por exemplo: Em nossa sociedade parece existir uma regra geral onde quanto mais o seu trabalho beneficia outras pessoas, menos remuneração você receberá. De novo, uma medida objetiva é difícil de encontrar, mas para entender basta perguntar: O que aconteceria se toda essa classe de pessoas simplesmente desaparecesse? Diga o que quiser sobre enfermeiras, catadores de lixo, mecânicos, mas se eles desaparecessem do nada, os resultados seriam imediatamente catastróficos.

Medium – Sobre o fenômeno dos trabalhos de merda.

Duas questões importantes costumam frequentar a mente de muitos profissionais: Como cobrar e o uso do termo “freelancer”.

Na hora de se pensar em quanto seu trabalho vale, o cálculo que deveria ser feito não envolve apenas tempo + custo por hora. Quando se é um profissional liberal o “valor pessoa” também conta.

Quanta experiência você tem no serviço que você vende? Quantos cursos, profissionalizações, tempo dedicado ao tema você já desprendeu?

E um ponto muito esquecido: De onde sai o dinheiro que paga o espaço onde você trabalha, luz, internet?

Apenas porque você é uma pessoa não justifica que seu preço seja abaixo do valor de mercado. Competitivamente falando, vale muito a pena para as empresas que contratam o serviço do freelancer, porque sim ele tem menos custos fixos – mas eles não deixam de existir!

Sobre se chamar ou não freelancer, pode-se dizer ser um assunto delicado. Muitos profissionais consideram o termo depreciativo, pois este ganhou a fama de ser “barato” ou “de profissionais não muito sérios, que fazem pequenos trabalhos.”

“A noite em que aconteceu, eu estava em uma festa cheia de potenciais clientes. Eu via oportunidades em todos os lados que eu olhava. Então, eu vi uma amiga. Ela me introduziu como uma “freelancer de marketing” para o CEO de uma empresa. Ela educadamente sorriu, inclinou a cabeça e perguntou se eu era expert naquelas ‘coisas de Twitter’.

Eu expliquei que eu era, na verdade, uma CMO-for-hire com foco em marketing e estratégia de marcas. Mas, depois da introdução da minha amiga, estava claro para mim que agora os prospects iriam me ver como uma social media de baixo nível, que apenas empilhava tweets e atualizações de status nos seus canais. Eu me senti desvalorizada e brava. Eu prometi nunca mais deixar alguém me apresentar daquela forma novamente.

É fácil ser vítima e se sentir como uma impostora – alguém que está apenas fingindo ser uma empreendedora. Então, mesmo ‘freelancer’ sendo a forma como você vê o que você faz, isso pode estar te vendendo como menos. Afinal, o seu sustento não dependende de como você se considera, mas como seus potenciais clientes veem você e o seu trabalho.”

Suzan Bond para Fast Company – Why I stopped calling myself a freelancer

Percebemos o “ser freelancer” muito mais como um estilo de vida: É algo que melhora a forma como você une vida pessoal e profissional. Se você sente, assim como Bond que o uso do termo desqualifica o seu trabalho, basta usar outra palavra para explicar o que você faz.

O que não podemos permitir é que se continue usando a imagem do freelancer como algo depreciativo. E a única forma de mudarmos isso é mostrando a verdade: Que o serviço nem sempre é mais barato – especialmente quando ele está relacionado ao “valor” da experiência de cada um – e que leva-se muito a sério os projetos, os quais são o sustento do profissional.

Outro ponto importante para a valorização é saber dizer não. Se você está naquela fase “desespero”, que precisa ganhar dinheiro para se manter, entendemos que é complicado negar trabalho. Porém, enquanto você dedica o seu tempo em um job sem sentido por alguns trocados, poderia estar se dedicando a prospectar projetos melhores ou se aperfeiçoando.

Planos

Há quem diga que o melhor mesmo é planejar menos e fazer mais.

Com certeza, quem fica muito tempo no planejamento, quando vai colocar o projeto em pé acaba percebendo que muitas informações já estão desatualizadas.

Por outro lado, quando se é freelancer e não se tem muita segurança financeira, os planos são o que, muitas vezes, mantém o foco.

Você pode se organizar, como fez Jout Jout, com uma lista de desejos no guardanapo. Pode, também, fazer uma poupança onde guarda uma porcentagem confortável para realizar aqueles sonhos mais caros.

Organização

Uma sensação muito comum nas primeiras semanas de freelancer/ homeoffice é: “O que foi que eu fiz da minha vida? Eu nunca vou conseguir me organizar!”

Os dias passam, você faz um detox de regras pré estabelecidas e descobre o seu tempo biológico. Se faz sentido acordar tarde e trabalhar até tarde, acordar cedo, descansar a tarde e trabalhar na madrugada – as formas e horários estão a sua disposição.

Jeremiah Dillon traz outro ponto importante para organizar uma boa produção: Os níveis de energia. Pensar neste aplicado aos dias da semana, ajuda a realizar um planejamento mais realista.

Para Dillon os níveis de energia funcionam da seguinte forma:

Segunda-feira: “rampa” de energia do final de semana – agende tarefas de baixa demanda como definição de objetivos, organização e planejamento.

Terça e quarta-feira: pico de energia – resolver os problemas mais difíceis, escrever, brainstorm e agendamento de tempo.

Quinta-feira: energia começa a diminuir – agendar reuniões, especialmente quando é necessário consenso.

Sexta-feira: nível mais baixo de energia – fazer trabalho aberto, planejamento a longo prazo e construção de relacionamento.

E ele ainda deixa uma dica: “Sempre direcione o seu momento produtivo para manhã, antes de bater o ciclo de fadiga da tarde. Deixe o final do dia para tarefas mais mecânicas.”

Para aqueles que encontram maiores dificuldades na administração do tempo, a Pomodoro Technique pode ser de grande ajuda.

A técnica se aplica da seguinte forma:

  1. Escolha uma tarefa (e apenas uma de cada vez);
  2. Prepare o timer para 25 minutos;
  3. Trabalhe na sua tarefa até o timer apitar, em seguida faça uma marcação de onde você parou;
  4. Faça um break de 5 minutos (você acabou de completar o seu primeiro Pomodoro);
  5. Repita os passos 1 a 4 mais três vezes, seguido por pausas de 15 minutos.

Ao imaginar pode parecer fácil, mas a pausa de 15 minutos é para você conseguir se focar mais na sua tarefa. Ou seja, sem multitarefas, e-mails, ligações de telefone, Facebook!

A Fast Company fez uma matéria sobre como a Pomodoro realmente funciona e ainda deixou dicas que ajudam a usá-la:

  • Um timer – pode ser os tradicionais de cozinha, app ou site;
  • Colocar o celular em modo avião;
  • Escolha um lugar silencioso para trabalhar e/ou um bom par de fones de ouvido;
  • Caneta e papel para os checkmarks;
  • 5 minutos em cada manhã para planejar as tarefas do dia;
  • 30 minutos no final de cada semana para rever a semana que passou e planejar a próxima.

Existem, também, aplicativos que auxiliam na administração de projetos em grupo – uma mão na roda para quem costuma trabalhar com pessoas de diferentes cidades. O primeiro deles é o Basecamp , que oferece as opções de lista de tarefas, compartilhamento e controle de arquivos e sistema próprio de mensagens.

Queridinho das startups, o Slack é um software de comunicação em equipes com suporte a canais, conversas privadas, integração com serviços externos e diversos detalhes que fazem dele “simplesmente viciante”.

Um pouco mais conhecido, no Trello você pode criar boards dos temas que quiser e ainda compartilhar com as equipes aqueles que são sobre o trabalho. Segundo o Tecmundo, dentro dos cartões você pode “escrever comentários, adicionar links, salvar anexos, determinar prazos e acrescentar imagens, especificando o assunto de cada um deles.”

O Evernote também surge como uma ótima opção, especialmente para quem gosta de anotar ideias durante o dia. Possui o chamado web clipper, onde você pode organizar artigos, pesquisas e conteúdos da web, além de chat.

Esses inimigos da produtividade existem, mas uma vez desmascarados, vamos trabalhar!

 


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