Ladies, Wine, Design and Business

O segundo encontro do Ladies, Wine and Design foi sobre um tema que gera muitas questões quando se é mulher: negócios. Afirmo isso porque, como conversamos no grupo, ao se nascer do gênero feminino muitos são os caminhos pré-definidos socialmente.

Mas como a deusa Simone de Beauvoir afirmou – “não se nasce mulher, torna-se” – nós podemos escolher todos os dias quem queremos ser. Dona de casa, mãe, autônoma, freelancer, empreendedora, funcionária, muitas são as opções hoje quando o assunto é trabalho. Ainda mais vivendo na era da internet, nós podemos criar novos negócios e ir desenvolvendo as profissionais que desejamos ser.

Falando sobre o nosso encontro, o papo não teve muitas pausas, porque tínhamos bastante o que conversar. Quem nos recebeu nesse encontro e, também, serviu comidinhas deliciosas para dar combustível às discussões foi o Vidal Mercearia + café – um lugar muito charmosinho que só trabalha com matérias primas orgânicas. Além disso, aproveitando o dia quente que fazia, brindamos esse momento com os espumantes da Vinhética, uma marca que possui uma produção sustentável.

Para dar um norte ao nosso encontro, convidamos a designer-mãe-gravidíssima-mulher-de-negócios Roberta Hentschke, diretora da Bora Design de Negócios. Como não existe separação entre profissional e pessoal, ela nos contou um pouco sobre a sua caminhada que sempre cruzava esses dois mundos. Com uma filha pequena e outro perto de conhecer o mundo, tivemos a oportunidade de olhar para mais esse desafio das mulheres modernas: ser mãe.

Ao tomarmos para nós todas essas responsabilidades – casa, família, amigos, negócios – buscamos ser as melhores, algo que na prática vamos aprendendo não ser possível em todas essas esferas. As fotos do Google de mulheres com terninhos, amamentando, bem lindas, maquiadas, sem nenhuma olheira, só existem nesse imaginário construído para não nos identificarmos. Ser todas essas mulheres é escolher diariamente quais são as prioridades e, para Roberta, ser mãe é uma delas.

Quando teve a primeira filha, decidiu que não iria mais trabalhar de manhã. Queria estar presente na vida desse novo serzinho, mesmo sabendo que poderia ganhar menos dinheiro por não trabalhar horas sem fim por dia. Antes de tomar essa decisão, sentia-se sem equilíbrio, pois estava sempre buscando se superar entre as demandas da vida. Ao parar para se ouvir e entender o que era importante, percebeu que precisava priorizar a filha naquele momento.

Mas como nós não podemos viver de luz, ser apenas mãe quando se tem uma força empreendedora dentro do corpo te chamando para a luta – e os boletos entrando pela caixa de correio – logo precisa-se voltar para o trabalho, o que faz com que as nossas prioridades se misturem com as dos clientes.

E, bem, como muitas de vocês sabem, ser uma mulher de negócios não é fácil. Uma das participantes do encontro nos trouxe um pouco sobre a sua experiência de ter uma marca de cerâmicas, a Alma. Trabalhar nesse universo handmade, com força braçal e tendo que se relacionar muito com fornecedores homens é bem complicado.

Marina Carvalho nos conta das vezes que já foi em ferragens ou até comprar alguma matéria prima para o seu trabalho e não foi ouvida. Mesmo chegando nas lojas tendo conhecimento sobre o que precisava, os atendentes não a levavam a sério, achando que ela não sabia nada sobre o negócio no qual decidiu colocar sua energia.

“Tu precisa provar o tempo todo quem tu é e o quanto tu sabe.”

Cristiane Hahner nos trouxe outro exemplo de como é difícil ser mulher no mundo dos negócios. Trabalhando como designer em uma indústria, conta sobre as vezes em que foi em reuniões com clientes e estes não lhe dirigiram a palavra. Afirma que houve situações em que as pessoas entravam na sala, cumprimentavam o colega do lado dela e a ignoravam completamente.

Em meio a tantas dificuldades é uma escolha diária ser uma mulher empreendedora. Os negócios em modelos tradicionais não foram desenhados para respeitar metade da população – no caso do Brasil, as mulheres representam 51,4%. Além disso, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, “nós vivemos mais, estamos tendo menos filhos, ocupando cada vez mais espaço no mercado de trabalho e, atualmente, somos responsáveis pelo sustento de 37,3% das famílias.

Com tantos entraves para trabalhar, uma das soluções que as brasileiras encontraram foi abrir o próprio negócio. Segundo o levantamento da Global Enterpreneurship Monitor (GEM), em 2014, 51,2% dos empreendedores que iniciaram negócios eram mulheres. A estimativa do Sebrae é de que já ocupamos 43,2% dos cargos de gerência em micro e pequenas empresas.

E conforme indicam as pesquisa somos muito boas no que fazemos. Ainda de acordo com o Sebrae, na última década, 54% das empreendedoras mantiveram suas empresas em atividade mais de cinco anos – tempo que se projeta para entender se a marca tem como ser sustentável.

Esses dados confirmam outra fala de Roberta, sobre as mulheres estarem mais abertas a experimentar nos negócios. Em um misto de se manter financeiramente, coragem e busca por identificação, as profissionais vão se aventurando em diversos segmentos. Desde uma pequena marca de brigadeiro até uma das maiores lojas varejistas do Brasil – Magazine Luiza – a cada dia criamos novas formas de nos encontrar e posicionar no mercado.

Mesmo tendo muito glamour ao redor do empreendedorismo feminino, os primeiros passos não são fáceis. Laura Madalosso, uma das sócias da marca Insecta Shoes, traz a equação preço justo x conseguir manter o negócio. No começo, mesmo sabendo quanto custa para produzir o teu produto – dependendo de como se encontra a situação econômica das pessoas – aquelas que se identificam com o que tu vende podem não ter como pagar. Logo, tu precisa rever como se posicionar no mercado, o que pode comprometer os lucros por um tempo.

Mesmo se questionando todos os dias, nas ondas de entra e sai dinheiro, precisamos encontrar forças em nós mesmas para lembrarmos porque escolhemos criar uma marca e o caminho que nos levou até esse momento.

Sem falar na importância de poder contar com amigas e pessoas que estão na mesma aventura empreendedora. Trocar, conversar e entender que tu pode estar fazendo tudo certo mas que haverá dias em que tu não irá vender é difícil de compreender. Porém, quando tu decide pedir ajuda ou até mesmo abrir o coração, o universo te manda um braço a mais para dar os próximos passos.

Outro exercício que ajuda nas horas de baixa é ter boas referências de liderança feminina . Como somos educadas a partir de modelos de gestão masculinas, grande parte das características femininas de negócios são negligenciadas. Sendo assim, precisamos de mentoras e profissionais que fazem de um jeito novo para nos espelharmos e inspirarmos.

Um exemplo que foi trazido no encontro foi a analogia da figura da Rainha Elizabeth II, presente na série The Crown. Quem já assistiu aos episódios percebe as tentativas fracassadas da jovem mulher em ter uma gestão mais coerente com a sua verdade. Porém, não estamos mais nos anos 50 onde não tínhamos com quem andar juntas quando o assunto era liderança feminina. Olhem para o lado e apoiem umas às outras.

No mais, como disse Roberta: “medita e aproveita o processo.” Tudo vai dar certo e quando não der, saiba que pode contar com as ladies aqui. Sigamos juntas <3

p.s: Esse ano teremos mais um encontro em dezembro, então fiquem ligadas no nosso Instagram – @lwd.poa – que iremos informar tudo por lá 🙂