Mantra – um projeto sobre alimentar a alma

Equipe: Fábio, Gabriela, Laura e Marilia.

Principal desafio: reconectar o Mantra à sua essência para melhor comunicar a marca.

Etapas: diagnóstico, ambientação, comportamento e personalidade de marca, estratégia para design de marca e planejamento de comunicação.

Tempo de projeto: 5 meses.

Resultado: operação do almoço dobrou a quantidade de pratos vendidos e comunicação da marca se tornou mais clara e coesa.


Imagine abrir um restaurante que serve comida sem derivados animais na capital nacional do churrasco. Achou difícil? Agora pensa nisso há 11 anos atrás.

Foi nesse cenário que o Mantra abriu suas portas e se tornou o primeiro restaurante vegano do sul do país: em uma Porto Alegre apaixonada por carne.

Com o tempo a marca foi se estabelecendo no mercado por receber a todos com muito carinho. Esse sentimento era tangível através da comida bem temperada e do cuidado no atendimento. Em todos os pratos podíamos encontrar o toque indiano, também presente na ambientação do restaurante.

Com mais de uma década na casa da rua Santo Antônio, o espaço tombado não permitia que melhorias estruturais fossem feitas para tornar o ambiente mais confortável tanto para quem visitava, quanto para quem trabalhava lá todos os dias. Então, os sócios identificaram uma oportunidade junto à necessidade de mudar de endereço: ir para um espaço maior, onde todos pudessem se sentir acolhidos – ideal para alimentar corpo e mente.

Pode parecer uma decisão fácil de se tomar, mas é complicado mudar de endereço depois de tanto tempo. Além disso, encontrar um lugar com capacidade para receber um restaurante, não muito longe do antigo Mantra, que tivesse uma estrutura melhor – para oferecer realmente o que se buscava nessa transição – não foi fácil.

Nós estávamos nessa aventura desde o começo. Conversamos com os sócios e entendemos juntos que esse momento era muito maior do que a troca de casa. A marca não havia acompanhado as atualizações do negócio e a mudança seria uma ótima oportunidade para se reconectar com quem o Mantra era e gostaria de ser no futuro.

Todos alinhados, demos o primeiro passo em direção ao que seria o novo Mantra, em março de 2017. Mesmo sabendo que o tempo poderia se tornar um inimigo no processo, decidimos respeitar etapas fundamentais a essa redescoberta de identidade da marca. Nossa primeira parada foi na análise do que era esse restaurante amado por tantos.

Porém, não se compreende anos de um negócio em alguns dias. Reunimos toda a força da Zest, cada um com suas expertises, para realizar o diagnóstico. Apresentamos todas as nossas análises, que passaram por cliente oculto, observação de processos internos, entrevista com os sócios, funcionários, consumidores e comunicação externa.

Foi então que nasceu uma metodologia que desenvolvemos para o projeto Mantra: a priorização. Com ela conseguimos criar um funil de problemas, identificando qual precisava de maior atenção – tudo isso trabalhando com o planejamento de abrir o restaurante até julho. Confirmamos com os sócios a prioridade do projeto e demos sequência à caminhada que nos levou a um ponto delicado: a marca como expressão de propósito.

Quando se entra no universo da marca, o que ficava embaixo do tapete com a correria do dia a dia se revela. Mergulhamos na comunicação e identificamos que muito do que os públicos – sócios, funcionários e clientes – sentiam pelo Mantra não era externalizado. Eles percebiam um restaurante inclusivo, onde as pessoas podiam ter um espaço para relaxar, alimentar corpo e alma. Nada disso era afirmado, especialmente pela identidade de marca.

Começamos a desconstruir todas as informações que já havíamos acessado e montamos um quebra cabeça de personalidade. Estudando arquétipos, sensações e comportamento, nós encontramos a essência do Mantra: ser um espaço para o bem estar.

Em meio a tudo isso, o Mantra já tinha endereço. Ao conhecermos a nova casa pudemos nos aproximar mais uma vez de um sonho que já era um pouco nosso. O tempo que antes parecia apertado agora tinha um prazo para acabar. Começaram as projeções sobre a data de inauguração e nós fomos sentindo o projeto fazer cada vez mais parte das nossas vidas.

Nos dividimos internamente. Uma parte da equipe se focou em desenvolver personalidade e comportamento de marca e a outra ficou dedicada à busca de referências para trabalhar em parceria com Vinícius – o arquiteto. Tudo para que no fim, marca, experiência do ambiente, comunicação e design transparecessem o que é o Mantra.

Teste de cores. Escolha de materiais. Fornecedores. Finalizando a etapa de comportamento da marca, precisávamos traduzir esse sentimento para a identidade. Foi, então, que Tiago – o designer – entrou nessa aventura.

De nada adiantava estar alinhado internamente se – quem faz um restaurante acontecer – não estiver sendo comunicado. Tanto quem trabalha no Mantra como quem é cliente precisava identificar essa transformação. E nada melhor do que o design para tornar tudo mais claro. Então, uma parte da nossa equipe deu sequência no projeto, trabalhando ao lado de Tiago para desenhar essa nova identidade.

Foi fácil?

Não. Uma marca de 11 anos tem muita história. Atualizar sua aparência requer muita confiança, não só da equipe como dos sócios. Foram vários dias de conversa, relembrando o caminho que já havíamos trilhado até o momento e as decisões que tinham sido tomadas e que nos levaram até aquele instante.

Após muitas trocas, algumas alterações, todos se sentiram satisfeitos com a nova identidade. Em seguida, Tiago poderia se dedicar a desenvolver aplicações para diferentes mídias e nós ficaríamos encarregadas de uma nova missão: pensar em uma ação que convidasse os clientes antigos a ir visitar o novo Mantra.

Pedimos aos sócios para organizar uma lista dos clientes que estavam por perto nos últimos 11 anos, influenciadores digitais que tinham uma relação próxima com a marca e claro, os colaboradores.

O nosso desejo para o novo Mantra era criar um espaço onde as pessoas pudessem fazer uma pausa na correria do dia a dia, aproveitando uma comida deliciosa e inclusiva. A melhor forma que encontramos de levar um pedacinho desse momento de transformação a quem a marca mais gostava foi enviando um chá.

Mas não era um simples chá.

Ao ser colocado em contato com água ele se tornava uma flor. Acompanhado do convite para conhecer a nova casa, os clientes receberam uma carta escrita pelos sócios, representando mais um vez o carinho e importância entre essas relações.

Além dessa ação pontual com clientes, realizamos um movimento online ao redor da mudança. Ressaltamos seus pontos positivos e revelamos alguns detalhes do espaço que estava sendo pensado para acolher momentos diários e especiais. 

O novo Mantra abriu suas portas no dia 2 de agosto. Após 5 meses o sonho, trabalho e força de muitos profissionais estava, enfim, recebendo clientes que acompanharam esse amadurecimento. 

Nós não poderíamos estar mais felizes em ver uma marca que acreditamos conseguindo tornar o mundo um lugar mais humano. Do lado de cá das panelas, fica a alegria por termos feito parte dessa transformação e a energia para continuarmos trabalhando com projetos que queiram melhorar a realidade.