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O Mercado de Pesquisa por Carmencita Job – Oxigênio

A Carmencita

Tudo começou em 2013, quando conhecemos a Carmencita em um dos cursos da [Ox]igênio. Na busca por empresas de pesquisa em Porto Alegre, que tivessem uma metodologia diferente e pensassem um tanto fora da caixinha tradicional, a [Ox]igênio se revelou uma grande oportunidade para conhecer novas técnicas, pessoas interessantes e percepções sobre mercados.

Como foi a primeira empresa que tivemos contato, em um segmento fechado como é o de pesquisa – onde se descobre as empresas por indicação ou sorte na escolha de tags no Google – decidimos começar a série por esta.

A [Ox]igênio existe desde 2011, criada pelas mãos e mente de Maria Carmencita da Felicidade Job – que é nome mesmo, não é artístico – já com a ideia de coletivo, ou seja, um núcleo guiado por ela e que une outros profissionais freelancers, na medida que surgem novos projetos.

Natural de Porto Alegre, seu caminho  no universo do empreendedorismo começou cedo, pois com 20 anos já possuía uma empresa em Florianópolis – onde morava na época. Vivendo um pouco retirada, nessa vida mais tranquila no Ribeirão da Ilha, teve um relacionamento que a apresentou ao mundo da pesquisa científica. Porém, foi ouvir sobre a Box 1824 em uma das aulas da pós graduação na UDESC, em desenvolvimento de produto e marketing, que fez seu olhar mudar.

“Eu tive um namorado que era mestrando em biologia, ele me trouxe essa questão de como a pesquisa era maravilhosa. Eu tinha o lado criativo de identificar o porquê, essa coisa mais filosófica, mas eu sempre tive um aspecto muito científico. Então eu acho que essa misturinha entre arte, ciência e achar uma lógica no meio de tudo isso, complementando com esse envolvimento empreendedor, isso fez nascer a Oxigênio.”

Não foi necessário muito mais, pois a decisão já estava tomada: “preciso chegar até a Box 1824” – pensou. E chegou. Depois de correr atrás de algum contato da empresa, dois meses se passaram e Carmencita foi para São Paulo, em busca de sua realização profissional.

Dentro da Box, o que a destacou foi a relação com a antropologia, conhecimento este adquirido através de algumas cadeiras que cursou no mestrado e doutorado da UFSC.

“Eu acho que eu tive duas que foram grandes inspirações e referências: o Eduardo Coutinho do cinema, que é o cara que é o maior documentarista do Brasil. Ele tem um talento em metodologia, ele transmite a criação de vínculo da forma mais fluída e natural que vi na minha vida. E a outra foi o Massimo Canevacci que foi quem me abraçou dentro da antropologia, que é um cara muito foda mesmo dentro do Brasil, dentro do seu campo da antropologia.”

Com a entrada no mercado de pesquisa e auxilio de alguns contatos, empresas começaram a se interessar pelo seu trabalho: Nasce então a [Ox]igênio. Que como o nome já diz, veio ao mundo para trazer novos ares, oxigenar a vida de todos que participam dela.

“Eu tenho muita vontade de transformar os ambientes, tenho um tesão gigante por ver as coisas acontecendo. Então eu acho que quando eu tive a oportunidade de colocar o sentido da teoria na prática e fazer as pessoas pensarem diferente, isso transformou a minha vida, porque eu estava querendo transformar a vida das pessoas.”

Segundo ela, houve desafios no início, mas o maior de todos foi deixar tudo pra trás e perseguir sozinha algo que ninguém acreditava ainda. Precisou investir do bolso, pois o trabalho em si, na época, não pagava todas as despesas para estar em São Paulo.

“Acho que eu tive muita sorte, na verdade, não sei se sorte, mas eu me esforcei muito. Eu paguei para poder viver isso, porque todo mundo achava loucura, eu achava que era o caminho que eu tinha que fazer para conseguir chegar onde eu queria.”

Começou, então, a criar metodologias cruzando o que aprendeu no mercado e na teoria, com antropologia, cinema, filosofia, semiótica e psicanálise. Algumas reaplicadas de outros trabalhos, outras desenvolvidas sozinha.

O mercado de pesquisa por Carmencita

O nosso objetivo maior com essa série, além de conhecer mais de perto os responsáveis pelas empresas e como eles pensam, era entender suas percepções sobre o atual mercado de pesquisa.

Pensando nacionalmente, Carmencita enxerga um mercado novo, fresco, com muito espaço para novas pessoas o conhecerem. Porém, identifica um problema relacionado ao grande acesso à informação, que é entender suas diferenças e saber absorvê-los. Percebe não haver uma retenção de conteúdos e, consequentemente, conhecimento.

Outra questão que destaca como importante no processo de pesquisa é conhecer o cliente. Sem essa compreensão, muito trabalho pode ser desperdiçado na má aplicação de ferramentas ou na reprodução de ações. Se a marca está envolvida no processo é fundamental que ela se abra para o estudo, permitindo um maior envolvimento e, consequentemente, um resultado mais aplicável.

Por outro lado, o mercado de Porto Alegre é percebido pequeno, pois existem poucas pessoas que trabalham com a pesquisa não tradicional. Sendo assim, o segmento de pesquisa se divide em dois modelos: aqueles que trabalham e dependem dos clientes de agências e, aquelas que tem contato direto com as empresas.

Além disso, alguns clientes regionais ainda ficam preocupados com a necessidade de realizar uma pesquisa, pois consideram o investimento alto e muitos não entendem como irão usá-la. Dessa forma, o grande desafio na área é saber tornar a pesquisa aplicável.

“Eu acho que o grande talento do pesquisador não é ser só pesquisador, é pesquisador, um pouco de planejamento e um pouco de empreendedor. Porque dai, tu consegue desenvolver os trabalhos pensando sempre em como ser aplicado.”

Por outro lado, aqueles que compreendem a necessidade e investem, reconhecem o valor do investimento. Sendo assim, é possível cobrar um valor justo pelos trabalhos, considerando os custos e o tempo aplicado.

Para aqueles que estão entrando no mercado de pesquisa

A primeira sugestão é: invista, se dedique. Quanto mais se produz, se envolve, se mostra, aumentam as chances daqueles que precisam de profissionais encontrarem essas pessoas. Precisa-se de mais vontade, envolvimento e determinação.

Quanto às habilidades que são valorizadas, Carmencita sugere ser descontente, ter como busca querer entender o mundo e não se satisfazer com pouco. Um ponto interessante observado por ela é de que as pessoas mais dedicas não são, necessariamente, aquelas classificadas como cool – pois há uma maior atenção à profundidade de pensamento, do que no ser e estar.

O que falta por parte dos interessados em trabalhar com pesquisa é reconhecer a importância de investir no pessoal e profissional, aplicação de tempo e dinheiro por um objetivo maior. Considera isso, pois acredita que apenas a cultura do tempo faz as coisas acontecerem, através de muito estudo e dedicação.

Como oportunidade de ingresso na área a Oxigênio possui o núcleo chamado Curadores das Belezas do Mundo, que auxilia e possibilita o enraizamento no plano da pesquisa, podendo desenvolver as suas condições de trabalho, se conhecendo mais como pesquisador e mais ainda tendo retorno sobre o que se está fazendo.

No final da conversa, perguntamos à Carmencita quais outras empresas de pesquisa poderíamos conhecer. Entre outras, ela nos indicou a Catalejos, da Paula Quintas – nossa próxima empresa da série.

Você pode conhecer mais sobre a Oxigênio nos canais da marca:

SiteFanpage Oxigênio e Fanpage Curadores das Belezas do Mundo.


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