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Ser Freelancer – por Fernanda Obregon | São Paulo

Chegou nossa última entrevista da série Ser Freelancer.

Acreditamos que contar um pouco pra você como foi a trajetória de Fernanda Obregon, e como ela trabalha hoje, é fechar esse etapa com chave de ouro.

Gaúcha de Santo Ângelo, se formou em Publicidade na Universidade de Caxias do Sul, mas sua vida profissional começou bem antes, ainda aos 16 anos. Deu aulas de inglês por um bom tempo, depois foi assistente do cartunista Iotti e trabalhou com planejamento na agência Duplo M. Nesse meio tempo conheceu a Box1824 e se apaixonou. Montou um currículo para fisgar a atenção deles e em seguida, a chamaram para sua primeira entrevista. Entretanto, não era para a vaga que de fato tinha interesse, resolveu então esperar por uma outra oportunidade surgir – e surgiu.

Nos fala com certeza: Cada passo que deu neste caminho foi importante para formar a pesquisadora que é – e lá se vão 7 anos nessa área.

“Lá no Iotti, já meio entediada com o que eu fazia, eu comecei a ler e descobri a Box. Então, eu comecei a estudar muito, o que era pesquisa, o que eles faziam, o que era pesquisa de tendências,  e ai, antes de entrar pra Duplo M, eu já sabia tudo da Box. Quando eu fui entrevistada pelo Marcelo, ele já sacou ali a minha vontade, sabe? E depois de um ano trabalhando com ele, eu recebi a proposta da Box e fui conversar com ele. Marcelo me disse: “Fernanda, a Box é uma das poucas empresas que eu deixaria você ir.”
“Lá no Iotti, já meio entediada com o que eu fazia, comecei a ler e descobri a Box. Então, eu comecei a estudar muito, o que era pesquisa, o que eles faziam, o que era pesquisa de tendências, e ai, antes de entrar pra Duplo M, eu já sabia tudo da Box. Quando eu fui entrevistada pelo Marcelo Lubisco, ele já sacou ali a minha vontade, sabe? E depois de um ano trabalhando com ele, eu recebi a proposta da Box e fui conversar com ele. Marcelo me disse: “Fernanda, a Box é uma das poucas empresas que eu deixaria você ir.”

A transição de Porto Alegre – São Paulo, profissionalmente falando foi bem suave, pois ela se mudou para trabalhar, acompanhando a migração da Box. Pensando no lado pessoal, considera que também foi tranquilo, pois estava se preparando há 6 meses. Além disso, acredita que o fato de ter ido com um emprego que lhe trazia segurança ajudou para que se sentisse mais confiante.

Já em 2008, fez projetos para Melissa, Fiat, e Pepsico. Para esta última, trabalhou junto com a Box em um painel online com os consumidores, para avaliá-los e fazer uma pesquisa mais dinâmica, se tornando o estudo pioneiro em pesquisa digital na época. Este case foi apresentado pela Carla Mayumi da Box no ESOMAR e mencionado como uma das metodologia de destaque daquele ano.

Com essa informação, a Box decidiu transformar esse projeto em uma empresa, porque já tinham novos clientes. Sendo assim, depois de Pepsico, veio Pepsi, C&A e Itaú – assim criou-se a Talk Inc. Lá dentro, trabalhou com relacionamento e criação de metodologias online, além de outras áreas da pesquisa. Após quase 6 anos, estava já em busca de outras oportunidades, quando aconteceu com ela o que muitas pessoas acham ser lenda urbana: Uma empresa encontrou seu perfil no Linkedin e entrou em contato.

“As pessoas sempre perguntam: “Como é que te acharam?” Primeiro, o meu perfil estava completo e em inglês. Por isso, a Tasha Space e o Mickey Barol, donos de uma consultoria estratégica para marcas me encontraram na sua busca. Eles queriam fazer um projeto sobre a cultura brasileira, então vieram para o brasil para procurar parceiros no ano retrasado e em junho eles me entrevistaram. Então, em janeiro do ano passado eu recebi uma proposta deles pra fazer esse projeto sobre cultura brasileira - esse projeto que era pra ser de 6 semanas, no fim eu fui pra lá e acabei trabalhando com eles 6 meses.”
“As pessoas sempre perguntam: “Como é que te acharam?” Primeiro, o meu perfil estava completo e em inglês. Por isso, a Tasha Space e o Mickey Barol, donos de uma consultoria estratégica para marcas, me encontraram na sua busca. Eles queriam fazer um projeto sobre a cultura brasileira, vieram para o brasil para procurar parceiros no ano retrasado e em junho eles me entrevistaram. Em janeiro do ano passado eu recebi uma proposta deles pra fazer esse projeto sobre cultura brasileira – esse trabalho que era pra ser de 6 semanas, no fim eu fui pra lá e acabei ficando com eles 6 meses.”

A CS Space, empresa em questão, segue sendo uma das quais Fernanda faz projetos freelancer, para clientes como Nike, Citibank e Comedy Central.  Na verdade, foi na volta ao Brasil que ela entrou para este mundo de profissional liberal: Nos conta que já sentida vontade de experimentar o formato dentro do mercado de pesquisa, pois ainda na Talk via seus amigos trabalhando assim e sentia que eles estavam circulando e se alimentando muito mais das novas dinâmicas. Paralelamente aos projetos, também estava tentando criar e entender qual é sua natureza dentro da pesquisa.

Quando retornou dos Estados Unidos, sentiu que precisava se situar no mercado, entender o momento, e por isso durante 6 meses  mergulhou nos estudos, para conhecer pessoas e novas metodologias. Na Perestroika frequentou as aulas do Mood (tendências), Da Lama ao Caos (vida em rede) e Inovação Social na Escola de Design Thinking.

“Quando eu voltei, fui trocar uma ideia com o Dudu Fraga, meu chefe por anos na Talk. A percepção dele era que o mercado de pesquisa tinha tido um boom de freelancers, e essas pessoas não estavam se diferenciando como marcas. Então todo mundo fazia a mesma coisa.”
“Quando eu voltei, fui trocar uma ideia com o Dudu Fraga, meu chefe por anos na Talk. A percepção dele era que o mercado de pesquisa tinha tido um boom de freelancers, e essas pessoas não estavam se diferenciando como marcas. Então todo mundo fazia a mesma coisa.”

Sentiu que dessa maneira, os contratantes começavam a nivelar todos os profissionais, mesmo alguns tendo mais experiência que os outros, oferecendo os mesmos projetos. No seu ponto de vista, dessa maneira o mercado não se desenvolveria, pois estavam todos querendo pegar a mesma fatia do bolo.

Pensou então, que deveria começar a se posicionar no mercado, e assim como outros freelancers, criar sua marca e abordagem. Após meses olhando para o mercado e entendendo o contexto, decidiu olhar para si, para sua história e compreender quais eram suas habilidades. Neste período introspectivo, se dedicou à hot yoga. “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda”, citando Jung.

"Eu tomei esse tempo para ter essa liberdade de descobertas, sabe? Isso consumiu muito da minha reserva. Mas eu acho que precisa ter um investimento na hora de se tornar freela, um investimento que você faz e que se paga. Eu passei por esta fase e aconselho aos novos freelancers, antes de mais nada, a estudarem o mercado, entenderem o seu papel dentro dele, saberem que existe sim, e que deve haver investimento, não só no estudo, mas no network que esses cursos trazem para você. Depois, você pode tomar um tempo para o autodescobrimento e ver como você pode cair na rede de uma forma mais inteligente, estratégica e fluida”.
“Eu tomei esse tempo para ter essa liberdade de descobertas, sabe? Isso consumiu muito da minha reserva. Mas eu acho que precisa ter um investimento na hora de se tornar freela, um investimento que você faz e que se paga. Eu passei por esta fase e aconselho aos novos freelancers, antes de mais nada, a estudarem o mercado, entenderem o seu papel dentro dele, saberem que existe sim, e que deve haver investimento, não só no estudo, mas no network que esses cursos trazem para você. Depois, você pode tomar um tempo para o autodescobrimento e ver como você pode cair na rede de uma forma mais inteligente, estratégica e fluida”.

No momento atual, ela está desenhando o seu portfólio baseada nas suas habilidades e paixões e decidiu levar para o mercado o seu lado artístico e criativo, que sempre esteve restrito nas brincadeiras com os amigos.  A pesquisa qualitativa, online ou offline, cultura,  inovação, design thinking, semiótica e psicanálise, teorias de redes, ensinar, bordado, inglês, yoga, tarot, cabala, figurinos e fantasias, coletivos. Todos estes elementos passam a se conectar no portfólio e se tornam o terreno de possibilidades para futuros trabalhos.

“Eu participei do Mermaid Parade em Coney Island no ano passado e fui felizona vestida de sereia. Não era parte do meu trabalho, mas ali, no meio de toda aquela festa eu tive um insight muito bom sobre diferenças da cultura americana para a brasileira. Foi aí que eu comecei a pensar que minha brincadeira com fantasias poderia ir para o lado profissional, criando experiências. Aí quando chegou o último trabalho de Nike, eu decidi fazer o desafio de 30 dias de yoga para entender como funciona a mente de um atleta. Era uma pesquisa enorme, em 11 capitais do mundo e eu também iria precisar da mente vazia para ler todo aquele conteúdo. Voltei a dar aulas de bordado e me diverte cruzar os aprendizados de uma área com a outra. “O que a yoga ensina para o bordado?” “Como seria o proceso de bordado através do Design Thinking?” “Como seria dar aula de pesquisa?”
“Eu participei do Mermaid Parade em Coney Island no ano passado e fui felizona vestida de sereia. Não era parte do meu trabalho, mas ali, no meio de toda aquela festa eu tive um insight muito bom sobre diferenças da cultura americana para a brasileira. Foi aí que eu comecei a pensar que minha brincadeira com fantasias poderia ir para o lado profissional, criando experiências. Aí quando chegou o último trabalho de Nike, eu decidi fazer o desafio de 30 dias de yoga para entender como funciona a mente de um atleta. Era uma pesquisa enorme, em 11 capitais do mundo e eu também iria precisar da mente vazia para ler todo aquele conteúdo. Voltei a dar aulas de bordado e me diverte cruzar os aprendizados de uma área com a outra. “O que a yoga ensina para o bordado?” “Como seria o proceso de bordado através do Design Thinking?” “Como seria dar aula de pesquisa?”

Com esta nova compreensão sobre si, pode escolher os projetos que acredita ou que sabe que tem mais conhecimento para realizar, prezando pela liberdade nas propostas que entrega para montar sua equipe da melhor forma – nessa fase está conhecendo vários profissionais de pesquisa para poder organizar e trabalhar em rede. “É o que se fala muito “Oh, trabalhamos em rede.” Como que é essa rede? Para mim, é a capacidade de criar grupos e pequenas empresas pra um projeto só, que depois se desfazem. Também com a mentalidade de coletivos.” – completa.

Quando trabalhava na Box, Fernanda teve uma época como home office. Sendo assim, aprendeu muito sobre como não se isolar. Conta perceber que, geralmente o que acontece entre quem trabalha em casa ou fora dela, é que no primeiro quando chega a noite, este quer sair e no segundo quer descansar. Agora sente estar em uma outra fase de sua vida, por morar em São Paulo e ter grande parte de seus amigos freelancers, há uma maior facilidade para seus encontros – adeus solidão.

Como incluiu na sua rotina o yoga, aproveita para alguns dias almoçar na rua. Percebe estar cozinhando muito mais para si mesma e que mudou toda a sua alimentação. Atualmente ela privilegia a alimentação vegetariana e os alimentos não-industrializados. Diz que não é xiita mas sim mais consciente das suas escolhas.

Trabalhando em casa ela está criando seu universo, seu canto, o que considera importante ter. Comenta que hoje tem mais liberdade, até mesmo para fazer algumas fugas. Por exemplo, se sabe que em dois dias terá projetos que irão exigir muito dela, consegue tirar antes uma tarde para descansar.

Conta que trabalho sempre tem. Para Fernanda as pausas entre projetos são oportunidades para o investimento próprio, através de estudos, almoços com profissionais do mercado, ou até refazendo sua página no Linkedin – cuidado que a levou a trabalhar com a americana CS Space.

Para que possa ter esses momentos de investimento pessoal, possui uma poupança que a ajuda. Fernanda equilibra o trabalho que presta para outras empresas e o serviço que faz para ela mesma, o que percebe ser a diferença do freelancer, que precisa investir muito em si.

A pesquisa a inspira muito. No processo de empatia durante os projetos é normal que Fernanda incorpore o target da pesquisa na busca de insights e de novos aprendizados.

"Sempre gostei de estudar auto-conhecimento pra ver como é que eu aplico isso em pesquisa. Em todos os meus projetos da Talk eu gostava de criar, dentro dos roteiros, das metodologias, perguntas e dinâmicas em que as pessoas pudessem descobrir algo a respeito delas, uma verdade no meio do processo. E eu pegava essa descoberta, fresca, no meio da pesquisa, e aplicava como insight. Percebo que essa busca pela lógica, pelo como as coisas funcionam está expandindo, não só no universo da pesquisa, mas em várias áreas e isso se torna conhecimento em uma era de transparência. Eu acho que a gente está saindo um pouco dessa fase de brincar com as coisas, para levá-las um pouco mais a sério e entender qual a relevância delas, como é que elas podem operar numa sociedade, numa cultura, que gere uma evolução. Esta é a brincadeira de muito coletivos, que acabam dando certo e viram novos negócios”
“Sempre gostei de estudar auto-conhecimento pra ver como é que eu aplico isso em pesquisa. Em todos os meus projetos da Talk eu gostava de criar, dentro dos roteiros, das metodologias, perguntas e dinâmicas em que as pessoas pudessem descobrir algo a respeito delas, uma verdade no meio do processo. E eu pegava essa descoberta, fresca, no meio da pesquisa, e aplicava como insight. Percebo que essa busca pela lógica, pelo como as coisas funcionam está expandindo, não só no universo da pesquisa, mas em várias áreas e isso se torna conhecimento em uma era de transparência. Eu acho que a gente está saindo um pouco dessa fase de brincar com as coisas, para levá-las um pouco mais a sério e entender qual a relevância delas, como é que elas podem operar numa sociedade, numa cultura, que gere uma evolução. Esta é a brincadeira de muito coletivos, que acabam dando certo e viram novos negócios.”

Ser freelancer | Mercado de pesquisa

Percebe existir uma parte do mercado de pesquisa, que está muito focada em fazer pesquisa e entregar resultados de um jeito que hoje são aplicáveis a um curto prazo e com menos estratégia. Existem profissionais que fazem trabalhos pensando apenas em um grupo de pessoas e não levam em consideração um contexto superior, onde há valores culturais emergentes e crescendo exponencialmente. Percebe que é aí onde se encontram os problemas de comunicação das marcas, pois as pessoas estão mudando a mentalidade e os comportamentos de forma muito rápida. “Estamos vivendo uma mudança de era e não uma era de mudanças” – afirma.

Acredita que as pessoas estejam percebendo o ser freelancer como algo positivo, divertido. Conta que os profissionais liberais brincam com a frase “caiu na rede”, pois há vários colegas da sua geração se tornando freelancers. Percebe como um movimento bem natural, pois muitos estão cansados de trabalhar em empresas, vivendo verdades de outras pessoas e corporações. Afirma que quando se é freelancer há a possibilidade de viver cada um a sua própria verdade, se conectando com aqueles que acreditam em coisas semelhantes. A rede é um processo e muitos estão indo por esse caminho.

Como já trabalhou em outros formatos, no ser freelancer sente que existem vantagens e desvantagens. Hoje, o principal benefício – e uma das principais razões que fazem as pessoas se tornarem profissionais liberais – é a liberdade, em relação a horários e projetos. Outra vantagem é ter tempo para dar mais energia aos seus projetos criativos e pró-ativos, que aos poucos estão se desenhando.

Se pudesse trazer uma dificuldade, brinca que foi se organizar para pagar as contas no início da transição e se ver como uma empresa. Hoje já encontrou um equilíbrio, pois aprendeu a administrar suas contas, a se valorizar e cobrar o que acha justo pelo seu trabalho.

“Eu estou aprendendo a fechar contratos e a cobrar. Cada pessoa ou empresa que me chama para projeto, é um sistema diferente e preciso ficar atento para prazos e pagamentos, pois tem trabalhos que atrasam e demoram e isso complica a agenda pois deixo de pegar outros. Então tu tem que saber colocar os seus limites, dar e mostrar o seu valor. "Eu acho que são questões que você lida consigo mesmo, de julgar, de cobrar. É preciso levar esse processo muito mais de aprender a fluir do que um processo de cobrança de alguma coisa"
“Eu estou aprendendo a fechar contratos e a cobrar. Cada pessoa ou empresa que me chama para projeto é um sistema diferente e preciso ficar atenta para prazos e pagamentos, pois tem trabalhos que atrasam, demoram e isso complica a agenda, pois deixo de pegar outros. Tu tem que saber colocar os seus limites, dar e mostrar o seu valor. Eu acho que são questões que você lida consigo mesmo, de julgar, de cobrar. É preciso levar esse processo muito mais de aprender a fluir do que um processo de cobrança de alguma coisa.”

Atualmente está começando a criar sua própria estrutura, em busca de uma maior pró-atividade. Percebe haver uma certa limitação na área de pesquisa, quando o assunto é portfólio. Como os projetos envolvem muito sigilo, especialmente com relação as etapas estratégicas, está agora se questionando sobre um formato que a permita divulgar suas experiências de uma forma ética. Um dos seus próximos passos é trazer para o Brasil o Business of Culture, a metodologia de pesquisa para estratégias culturais criada pela CS Space, na qual Fernanda também participa do grupo de estudos.

Acredita que o freelancer precisa se conhecer muito, saber realmente o que melhor faz e o que mais gosta de fazer. Aprender seria sua palavra chave. Conta que já contratou várias pessoas para trabalhar com ela, porque via nestas potencialidades que poderiam ser usadas na pesquisa, algumas dessas até que Fernanda não possuía e iria complementar o projeto. “A vontade de aprender que essas pessoas tem, o interesse, isso movimento tudo e faz o sucesso de um projeto” finaliza.

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